Adiamento da PEC do voto impresso representou vitória a defensores das cédulas

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A oposição reagiu e cogitou aprovar uma autoconvocação da comissão para votar a PEC ainda ontem, mas prevaleceu um acordo de líderes que fez com que Martins divulgasse uma nota se comprometendo a votar o texto em 5 de agosto

Durante uma sessão tumultuada, o deputado Paulo Martins (PSC-PR), presidente da comissão especial encarregada de analisar a PEC do voto impresso, anunciou que a votação da matéria, inicialmente marcada para ontem, ocorrerá só em agosto, após o recesso parlamentar. Martins atendeu ao pedido do relator, Filipe Barros (PSL-PR), que solicitou prazo para fazer alterações no seu parecer. O desfecho da reunião representou uma vitória para os defensores da proposta, que temiam uma derrota, caso a votação ocorresse. A decisão do presidente foi alvo de protestos de representantes dos partidos de oposição, que queriam analisar a PEC, certos de que o texto seria rejeitado pela maioria do colegiado.

“Picareta!”, gritou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), logo depois que Martins anunciou o adiamento da votação da proposta para a próxima reunião ordinária do colegiado e encerrar, abruptamente, a reunião.

A oposição reagiu e cogitou aprovar uma autoconvocação da comissão para votar a PEC ainda ontem, mas prevaleceu um acordo de líderes que fez com que Martins divulgasse uma nota se comprometendo a votar o texto em 5 de agosto. “Em acordo com os membros da Comissão da PEC 135/2019, tanto de oposição quanto de situação, firmamos que votaremos o parecer no dia 5 de agosto de 2021, impreterivelmente. É o meu compromisso”, escreveu.

A defesa da adoção do voto impresso é uma das principais bandeiras do presidente Jair Bolsonaro, que, com frequência e sem provas, tem questionado a segurança da urna eletrônica e ameaçado a realização das eleições de 2022. A PEC 135/2019 é de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF) e tem como relator o deputado Filipe Barros (PSL-PR).

Nos últimos dias, a comissão especial, formada por 34 deputados, virou palco de uma batalha de recursos regimentais entre apoiadores e opositores das mudanças no sistema eleitoral. Prevendo que não teriam votos para aprovar a PEC, os governistas trabalharam para adiar a votação, enquanto representantes da oposição e de partidos de centro, certos da derrubada do texto, pressionaram para que a deliberação ocorresse antes do recesso.

Na quinta-feira, 20 parlamentares conseguiram aprovar uma incomum autoconvocação do colegiado para votar a PEC ontem. O requerimento de autoconvocação, apresentado pelo deputado Hildo Rocha (MDB-MA), recebeu o apoio de representantes de 12 partidos — MDB, PT, PSDB, PDT, Solidariedade, PCdoB, PV, Republicanos, PSol, DEM, PSD e até do Patriota, ao qual o presidente Bolsonaro cogita se filiar para concorrer à reeleição em 2022.

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