MPE denuncia médicos por exercício ilegal; Polícia apura mortes de pacientes

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Três médicos não habilitados pelas autoridades brasileiras foram denunciados pelo Ministério Público Estadual por exercício ilegal da medicina no município de Água Boa (a 730 Km de Cuiabá). A denúncia foi oferecida na sexta-feira (19) pelo promotor de Justiça Luis Alexandre Lima Lentisco.

 

V.G.B.O., J.V.C.S. e L.V.C.S. vão responder também por expor a vida ou a saúde de outras pessoas a perigo, associação criminosa e falsidade ideológica.

 

Além deles, foram acionados o médico S.S.C.J. e R.G.G., sócios e administradores da empresa Cure Tratamento em Saúde Ltda, que era responsável até então pela prestação dos serviços de saúde na Unidade de Terapia Intensiva de Covid-19 do hospital onde os fatos ocorreram.

De acordo com o Ministério Público, várias reclamações relacionadas à atuação dos denunciados chegaram e os fatos estão sendo apurados na esfera cível e criminal. Existe, inclusive, inquérito policial instaurado para apurar possíveis consequências criminais envolvendo a morte de duas pessoas.

Consta na denúncia, que o grupo atuou entre os meses de abril e maio deste ano no Hospital Regional Paulo Alemão. Além de exercer a profissão de médico sem autorização legal, as investigações revelaram que eles inseriram declaração falsa com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

 

Insumos reutilizados

O MPE destaca ainda que por várias vezes o grupo atuou sem a supervisão do médico responsável local, prescrevendo medicamentos, avaliando pacientes e exames clínicos, bem como realizando procedimentos médicos, como dreno de tórax, acesso central, intubação e até massagem cardíaca.

Os administradores da unidade hospitalar na ocasião são acusados de substituir os medicamentos de primeira linha por outros que não tinham a mesma eficácia de sedação.

 

Segundo o MPE, existem relatos de pacientes que teriam passado pela experiência de acordar durante o período em que se encontravam intubados.

Para poupar gastos com materiais, insumos descartáveis como seringas, agulhas, frascos utilizados para as dietas e frascos de soro teriam sido reutilizados pela unidade hospitalar. Há registros, inclusive, de que um paciente da UTI chegou a ficar sem receber alimentação por até três dias.

Fonte: Mídia News

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